Falta de infraestrutura compromete o tráfego e o escoamento da produção agrícola na MA-006

Caminhoneiros que fazem o transporte da safra agrícola de grãos no sul do Maranhão reclamam das más condições de conservação das estradas. Eles alegam que a grande quantidade de buracos e a poeira nas estradas estão causando atraso nas viagens.

A infraestrutura da MA-006, que interliga as cidades de Grajaú, Arame, Formosa da Serra Negra e Fortaleza dos Nogueiras, foi destaque em uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre a situação das estradas brasileiras. Em muitos trechos não há mais asfalto, só terra. (Veja a reportagem aqui).

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) a MA-006 é considerada a pior rodovia do Maranhão. O trecho que apresenta as piores condições de tráfego possui cerca de 240 km e fica localizado entre os municípios de Balsas e Alto Parnaíba. Por ele passa quase a metade da produção agrícola do sul do Maranhão.

Motoristas reclamam das péssimas condições de tráfego na MA-006. (Foto: Reprodução/TV Mirante)Motoristas reclamam das péssimas condições de tráfego na MA-006. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Motoristas reclamam das péssimas condições de tráfego na MA-006. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Em um vídeo, um agricultor que possui uma fazenda no município de Tasso Fragoso, trafega em um trecho da MA-006 e reclama sobre as péssimas condições de infraestrutura da rodovia.

“Hoje, 27 de agosto, já passei por um acidente perto de uma aldeia, um caminhão virado e carregado de algodão da Paranaíba. Uma importante estrada que faz o escoamento da produção agrícola. Toda hora desviando de buraco, risco de acidentes constante, acho que está na hora pessoal, chega! Vamos acordar, pelo amor de Deus!”, desabafa o agricultor.

Com o início do período de estiagem e falta de asfalto na rodovia, a poeira toma conta da paisagem e os caminheiros enfrentam muitas dificuldades para conseguir transitar pela região. As carretas que estão terminando de retirar das fazendas as safras de soja e milho e ainda transportam o adubo que será usado no próximo plantio, desaparecerem em meio a poeira.

As demais estradas da região que são usadas para transportar parte da produção de grãos, que este ano foi considerada a melhor dos últimos cinco anos, estão em péssimo estado de conservação. Em uma delas, a estrada do Ribeiro, passou por uma operação para amenizar os problemas estruturais no início do ano, mas o material usado para fazer os reparos trouxe mais problemas para os caminhoneiros.

“Fizeram uma ação aqui e colocam uma piçarra, um barro diferente e virou essa poeira toda aqui. A noite isso aqui é intrafegável”, afirma o agricultor Fernando Moura.

Caminhoneiros alegam que durante a noite é impossível trafegar em trecho da rodovia estadual. (Foto: Reprodução/TV Mirante)Caminhoneiros alegam que durante a noite é impossível trafegar em trecho da rodovia estadual. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que o trecho da estrada do Ribeiro consta no Plano Rodoviário Nacional como BR-324, uma rodovia planejada, mas ainda não há previsão para que as obras sejam iniciadas.

O DNIT afirma que quando a rodovia for construída, deve ligar os municípios de Balsas no Maranhão e Ribeiro Gonçalves no Piauí, em uma extensão de 107 km. Atualmente, a ligação entre as duas cidades é feita pela MA-378, uma rodovia coincidente, sendo de responsabilidade do governo do Maranhão.

Nuvem de poeira se forma sempre que caminhões passam por trechos sem asfalto da MA-006 (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Nuvem de poeira se forma sempre que caminhões passam por trechos sem asfalto da MA-006 (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), o órgão está realizando serviços de recuperação emergencial para melhorar o tráfego e o escoamento da produção agrícola no sul do Maranhão. A Sinfra afirma que o pedido de financiamento para a reconstrução da MA-006 está em fase de aprovação pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

O órgão ainda esclarece que já foi realizado um levantamento do trecho citado na MA-378 e que a rota está incluída no cronograma de execução de obras.