“A gente nunca vai conseguir entender o que aconteceu”, conta irmã após 2 anos da morte de Mariana Costa

Para marcar a data e lembrar os dois anos do assassinato da publicitária Mariana Costa, uma caminhada foi realizada pelas ruas do Centro de São Luís nesta terça-feira (13), dia estadual de combate ao feminicídio.

Vários homens e mulheres carregaram faixas, cartazes e usavam camisas que lembravam a importância do combate ao feminicídio e a violência doméstica contra a mulher.

“Os índices de feminicídio, de violência contra a mulher, ainda é muito alto. Isso, basicamente, assusta muitas jovens de hoje e o que nós queremos é simplesmente justiça”, contou a estudante Jenifer Ribeiro.

Centenas de pessoas se reuníram e carregaram cartazes que lembravam a importância do combate ao feminicídio. — Foto: Reprodução/TV MiranteCentenas de pessoas se reuníram e carregaram cartazes que lembravam a importância do combate ao feminicídio. — Foto: Reprodução/TV Mirante

Centenas de pessoas se reuníram e carregaram cartazes que lembravam a importância do combate ao feminicídio. — Foto: Reprodução/TV Mirante

A ação é o resultado de um trabalho que levou para a sala de aula o combate a violência contra mulher e o acompanhamento das vítimas. O Ministro Público do Maranhão lembrou que somente com a denúncia é possível acabar com a violência e prender o agressor.

“A lei determina que sejam feitas campanhas de prevenção na comunidade escolar. Então o que a gente quer é que esses jovens cresçam reconhecendo o direito das mulheres. Eles já fazem isso quando eles trabalham esses temas nas escolas, com música, teatro, pintura, expressões artísticas e produção textual. É nessa geração que eu acredito”, declarou a promotora de justiça Selma Martins.

Morte de Mariana Costa

Mariana Costa foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, Lucas Porto — Foto: Arquivo pessoal / FacebookMariana Costa foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, Lucas Porto — Foto: Arquivo pessoal / Facebook

Mariana Costa foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, Lucas Porto — Foto: Arquivo pessoal / Facebook

Há 2 anos a irmã da publicitária Mariana Costa, Carolina Costa, entrou para as estatísticas das vítimas de feminicídio. Mariana foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, o empresário Lucas Porto, que está preso e aguardando julgamento.

“Mariana foi uma vítima no dia 13 de novembro de 2016. Hoje completa dois anos que a minha irmã foi arrancada das nossas vidas pela mão de um homem que eu vivi durante 20 anos. É uma dor que não tem explicação, a gente nunca vai conseguir entender o que aconteceu. O fato é que essa não é uma realidade só da minha casa, é uma realidade de 12 famílias por dia no nosso país. Então é uma realidade que está aí e nós precisamos estar atentas porque nós mulheres merecemos respeito, nós mulheres merecemos caminhar, nós merecemos viver sem medo. E o nosso grito de guerra é esse: Nenhuma a menos”, afirmou Carolina Costa durante a caminhada.

Carolina Costa, irmã de Mariana Costa e ex-esposa de Lucas Porto, assassino confesso da publicitária — Foto: Reprodução/TV MiranteCarolina Costa, irmã de Mariana Costa e ex-esposa de Lucas Porto, assassino confesso da publicitária — Foto: Reprodução/TV Mirante

Casos de feminicídio no MA

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, foram instaurados 1.052 inquéritos em São Luís em 2018. No mesmo período foram realizadas 264 prisões em flagrante e pedidas 2.442 medidas protetivas. No ano passado o número de prisões em flagrante e medidas protetivas foram menores.

Violência contra a mulher no MA

Inquéritos instaurados Prisões em flagrante Medidas protetivas
2017 – 1304 2017 – 255 2017 – 2431
2018 – 1052 2018 – 264 2018 – 2442

“O Brasil está entre os cinco que mais praticam esse tipo de violência. Nós temos que continuar combatendo porque é sinal que as mulheres não estão aceitando esse tipo de prática. Estão procurando a justiça para que possam ser responsabilizadas essas pessoas”, declarou o procurador geral de Justiça do Ministério Público do Maranhão, Luiz Gonzaga.

A caminhada desta terça (13) também lembrou que, além das punições previstas, na Lei Maria da Penha existe uma rede de proteção das mulheres vítimas de violência. A Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar é responsável por monitorar essas mulheres.

“O primeiro passo que a mulher tem que fazer é procurar uma delegacia, registrar um boletim de ocorrência e solicitar uma medida protetiva com a patrulha Maria da Penha. Logo após o deferimento dessa medida protetiva o agressor é afastado do lar através de um oficial de justiça com o acompanhamento de uma viatura da Polícia Militar. Quando ele é afastado, nós recebemos uma certidão de que houve o afastamento. A partir daí a gente começa a fazer as visitas para ela e a fiscalizar o agressor. Ela fica com todos os nossos telefones para que, a qualquer momento que ela necessite, ela liga para que a viatura possa atender o mais rápido possível”, explicou a coronel da Patrulha Maria da Penha, coronel Augusta Andrade.

Uma lei estadual estabelece o dia 13 de novembro como o Dia de Combate ao Feminicídio no Maranhão. Durante toda esta semana, ações vão acontecer para incentivar o fim da violência de gênero.

“O foco da nossa campanha este ano foi justamente os estudantes porque a gente acredita que o caminho é a educação. É muito mais fácil você conscientizar, você educar uma criança e um adolescente com relação a igualdade de gênero do que reeducar um adulto. Então como eles são o futuro do Brasil,é neles que estamos apostando para que aconteça essa mudança cultural”, ressaltou a delegada da mulher, Viviane Azambuja.