Após um mês, PF não conclui inquérito sobre atentado contra índios Guajajaras no Maranhão

O inquérito que investiga a morte dos caciques Raimundo Guajajara e Firmino Guajajara, assassinados em um atentado registrado na BR-226, entre as aldeias El Betel e Boa Vista no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, ainda não foi concluído e segue sob siglo, segundo a Polícia Federal. O crime completa um mês nesta terça-feira (7).

Dois índios ficaram feridos durante o ataque. Em um vídeo, um dos indígenas que sobreviveu contou que foi surpreendido por um veículo de cor branca que realizou disparos contra a moto onde ele e um dos caciques mortos estavam (veja o vídeo abaixo). A Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que o crime poderia ter relação com os constantes assaltos registrados no trecho da BR-226.

Um dos indígenas que ficou ferido foi submetido a duas cirurgias para corrigir lesões na bexiga e intestino e ficou internado no Hospital Macrorregional de Presidente Dutra, localizado a 347 km de São Luís. O outro indígena sofreu ferimentos e chegou a ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jenipapo dos Vieiras, mas foi liberado logo em seguida.

Entenda o caso

Envio de tropas para o Maranhão

Por conta da tensão na região, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou o envio de tropas da Força Nacional para o Maranhão por 90 dias. As tropas continuam na região e a operação pode ter o prazo prorrogado.

De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a medida tem como objetivo garantir a integridade física e moral dos povos indígenas, dos servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), dos não índios, contribuir com as ações da PF e atuar na fiscalização da BR-226.

Tropas da Força Nacional chegam a Terra Indígenas Cana Brava, em Jenipapo dos Vieiras — Foto: Erisvaldo SantosTropas da Força Nacional chegam a Terra Indígenas Cana Brava, em Jenipapo dos Vieiras — Foto: Erisvaldo Santos

Tropas da Força Nacional chegam a Terra Indígenas Cana Brava, em Jenipapo dos Vieiras — Foto: Erisvaldo Santos

Protestos

Três pontos da BR-226 entre os municípios de Barra do Corda e do Grajaú, ficaram bloqueados por quase dois dias por indígenas da etnia Guajajara que protestavam por causa das mortes. Um congestionamento de veículos de mais de 1,5 quilômetro foi registrado na área.

Lideranças indígenas reagiram à morte dos caciques, dentre elas, Sônia Guajajara, que se solidarizou com os familiares das vítimas e pediu justiça para o caso.

Crime contra indígenas

Após dois meses, três indígenas foram mortos em conflitos registrados no Maranhão. Entre eles, Paulo Paulino Guajajara, um dos ‘Guardiões da Floresta’, que foi morto em uma emboscada na Terra Indígena Araribóia, no município de Bom Jesus das Selvas no Maranhão.

Cinco dos 35 indígenas assassinados no Maranhão entre 2009 e 2019 — Foto: CIMICinco dos 35 indígenas assassinados no Maranhão entre 2009 e 2019 — Foto: CIMI

Cinco dos 35 indígenas assassinados no Maranhão entre 2009 e 2019 — Foto: CIMI

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em dez anos, 35 casos de assassinatos de indígenas foram registrados no estado. Os dados somam os casos que ocorreram dentro e fora das terras.

Índios assassinados no Maranhão — Foto: Arte/G1Índios assassinados no Maranhão — Foto: Arte/G1

Índios assassinados no Maranhão — Foto: Arte/G1