Do 14 Bis à Apollo 11

O astronauta Neil Armstrong pisou no Brasil em 17 de outubro de 1966 – ele visitou Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo como parte de sua turnê por 22 cidades da América Latina. As visitas faziam parte da estratégia de divulgação dos feitos espaciais dos Estados Unidos em plena disputa com as realizações da União Soviética. Em São Paulo, no dia 21 de outubro de 1966, Armstrong e sua comitiva foram recebidos com pompa no Aeroporto de Congonhas. Os compromissos incluíram desfile em carro aberto, palestra para duas mil pessoas no Mackenzie, encontros com o prefeito Faria Lima e o governador Laudo Natel. Foi marcante sua visita ao Museu da Aeronáutica, onde assinou o livro de honra e ofertou uma placa de bronze com os seguintes dizeres: “Ao gênio do grande brasileiro Santos Dumont, por suas contribuições para a ciência aeroespacial. Neil Armstrong e Richard Gordon, astronautas dos EUA”. Armstrong também conversou com a aviadora brasileira Ada Rogato em frente ao monomotor em que ela bateu um recorde em 1951: foi a primeira pessoa a percorrer as três Américas em voo solitário.

Às 02h56min UTC de 21 de julho de 1969, Neil Armstrong colocou seu pé esquerdo na superfície lunar dizendo: “é um pequeno passo para [um] homem, um salto gigante para a humanidade”. O pouso do módulo Eagle, ocorreu algumas horas antes, às 20h17min30s UTC do dia anterior, na área do mapa lunar chamada de “Mar da Tranquilidade”, e foi realizado pelo companheiro de Armstrong, Edwin E. “Buzz” Aldrin Jr. No curso do programa Apollo os dois astronautas passaram por momentos de tensão no convívio, mas no momento do pouso bem-sucedido eles celebraram com um aperto de mão e tapas nas costas. Aldrin desceu vinte minutos depois de Armstrong e também disse uma frase que entrou para a história: “Magnífica desolação”.

Aldrin chegou, inclusive, a realizar a eucaristia na Lua. Antes de descerem as escadas da nave, Aldrin pediu permissão ao comandante Neil Armstrong – permissão concedida – e retirou de um estojo plástico um pedaço de pão e um cálice com vinho. Armstrong não participou do rito, mas permaneceu em silêncio respeitoso. Conforme o próprio Aldrin descreveu: “desempacotei os elementos. Coloquei-os na mesinha na frente do computador com o sistema de abortamento, juntamente com o texto das Escrituras que havia copiado num papel” – um trecho do evangelho de João 15.5. A seguir, ele disse ao rádio: “Houston, aqui é Eagle. Aqui é o piloto LM falando. Gostaria de pedir alguns minutos de silêncio. Gostaria de convidar cada pessoa que estiver ouvindo, onde quer que esteja e quem quer que seja, que contemple por um instante os eventos das últimas horas e que dê graças à sua maneira”.

Aquele era um momento especial, afinal, a Lua conecta todos os povos da terra. Por isso os astronautas levaram, além da bandeira americana, medalhas com os nomes dos cosmonautas russos e americanos mortos nos anos da corrida espacial. Também carregaram um pequeno ramo de oliveira de ouro, símbolo mundial da paz, e um disco de silício com mensagens gravadas por líderes de 74 nações. O presidente do Brasil era Arthur da Costa e Silva que teria dito: “eu rezo a Deus que esse feito brilhante da ciência permaneça sempre a serviço da paz e da humanidade”. Por fim, havia uma placa com a inscrição: “Aqui, homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez o solo da Lua – julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade” seguida das assinaturas dos astronautas e do presidente americano, Richard Nixon.

Concluída a missão, Armstrong e Aldrin fecharam a escotilha. O módulo Eagle seguiu para a órbita lunar e acoplou-se de volta com o módulo Columbia, onde reencontraram o terceiro membro da equipe, Michael Collins. Os astronautas retornaram a Terra caindo no Oceano Pacífico em 24 de julho. Três meses depois, Armstrong e Collins vieram ao Brasil onde foram condecorados com a Ordem do Cruzeiro no Palácio do Itamaraty e presenteados com exemplares do livro infantil “Flicts” de Ziraldo. Armstrong disse: “é uma honra para nós estar aqui junto dos senhores e receber esta comenda. Magníficos pioneiros, desde Santos Dumont até a descida da Apollo 11 no Mar da Tranquilidade, os aviadores fizeram coisas novas e estabeleceram novas fronteiras”.

Em 1973, as brasileiras e os brasileiros foram homenageados na 15ª Assembleia Geral da União Astronômica Internacional: Alberto Santos Dumont se tornou o nome de uma cratera de oito quilômetros de diâmetro e 1,1 quilômetro de profundidade na cartografia lunar (caso queira visitar, as coordenadas são 4.8º Leste/27.8º Norte). O nome de Dumont foi aprovado por unanimidade. Ele é o primeiro e até hoje único brasileiro que batiza o relevo da lua. Michel Collins disse na ocasião: “lá está o nome de um brasileiro que hoje pertence a toda a humanidade”. É um grande mistério, mas 20 de julho também é a data de aniversário de Santos Dumont. Neste sábado celebramos os 50 anos do primeiro pouso na Lua e os 146 anos do nascimento do pai da aviação.