Em estreia internacional, Bolsonaro é alertado de que só terá um tiro para acertar tom em Davos

Em estreia internacional, o presidente Jair Bolsonaro foi alertado por interlocutores próximos que só terá um tiro para acertar o tom no Fórum Econômico Mundial, em Davos, e conseguir vender bem a imagem de um Brasil de novo perfil liberal e com bom ambiente de negócios.

Por isso, tanto cuidado para não falar de improviso em Davos e ao mesmo tempo tentar evitar contaminar a agenda internacional com o caso das movimentações atípicas identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

No discurso com forte tom liberal, Bolsonaro seguirá a linha de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a prioridade do Brasil será a agenda das reformas, em especial a da reforma da Previdência. E que isso dará ao país condições de mudar sua situação de grande déficit fiscal nas contas públicas.

Ao mesmo tempo, a ordem é mostrar um roteiro de privatizações, e que o Brasil também pode ser um novo destino para investimentos, tanto na área de infraestrutura, como na área de portos, aeroportos e estradas e também no setor de óleo e gás.

Será, ainda, uma forma de evitar visibilidade nos temas que Bolsonaro tem sido criticado, como as questões ambientais e climáticas.

O presidente brasileiro também deve reafirmar o seu compromisso com a democracia e o respeito à Constituição do país, como uma forma de vacina de que o país não corre risco de um retrocesso.

Nesse campo, deve ter um papel importante para o país a presença do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que dirá que o combate à corrupção atende também à questão econômica de contribuir para melhorar o ambiente de negócios no Brasil.

Como revelou o blog do João Borges, Moro falará no fórum sobre as três prioridades da gestão dele à frente do ministério: combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes de violência.

A presença do ministro em Davos faz parte da estratégia do governo de melhorar a imagem do país no exterior. A mensagem que o governo quer passar é que o país está na vanguarda do combate à corrupção.

O combate ao crime organizado e aos crimes violentos também têm sua vertente econômica: investimentos externos deixam de ser realizados pelo clima de insegurança nas principais cidades do país.