Ex-presidente do PSDB, Goldman declara voto em Haddad

O ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PSDB Alberto Goldman afirmou nesta quarta-feira (24) que irá votar em Fernando Haddad (PT) para presidente. Em um vídeo e texto publicados em sua página no Facebook, Goldman disse que “votará em Fernando Haddad contra a ameaça aos valores democráticos”.

O tucano explicou que iria votar nulo, mas no domingo (21), após ver o discurso feito em vídeo pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL) aos manifestantes da Avenida Paulista, Goldman disse que não quer “pagar para ver”. Bolsonaro afirmou, durante transmissão em vídeo, que “essa turma se quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de todos nós, ou vão para fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”.

O tucano disse que essa é uma “linguagem absurda, linguagem que não corresponde à lei brasileira, não corresponde a democracia brasileira, não corresponde a Constituição, não corresponde a nada”.

No vídeo, o ex-governador disse que não acredita que as instituições brasileiras “sejam tão frágeis a ponto de perderem suas características que conquistarem nos últimos anos de democracia”. “Acho que não, acho que nem Bolsonaro nem seu agrupamento mais próximo vai conseguir fazer isso, mas evidentemente pontos e retrocessos nós poderemos vir a ter”, analisa.

“No entanto, eu sinceramente não quero pagar para ver, e vou contra a minha vontade, contra o que eu pensava, contra os meus princípios e contra todos esses anos de luta contra o PT, vou acabar votando em Haddad”, conclui Goldman.

G1 procurou o PSDB e aguarda posicionamento.

Processo de expulsão

No início de outubro, o diretório municipal do PSDB decidiu expulsar Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e mais 15 filiados por infidelidade partidária. O vereador João Jorge afirmou que Goldman foi expulso por apoiar a candidatura do MDB ao governo de São Paulo no primeiro turno.

No entanto, a executiva nacional disse que “nenhuma instância partidária municipal tem competência para expulsar membros do diretório nacional ou estadual”. “Assim sendo, a decisão é arbitrária e inócua”, diz a nota.

Em vídeo, Goldman afirma que soube da decisão do diretório paulistano pela imprensa. O ex-governador acrescentou que a decisão é “inócua”, e que não obedeceu ao rito processual para expulsão de um filiado “Esse rito processual pressupõe uma representação, o direito à defesa, todo um processo. Se isso vier, eu farei minha defesa e discutirei essa questão.”

Ele reforçou críticas à candidatura de João Doria (PSDB) ao governo. “Acho que ela [candidatura] não é boa para o partido, acho que ela não é boa para a cidade de São Paulo, já não era, acho que não é boa para o estado, e acho que, se a gente puder evita-la, [devemos] evitar que ele seja governador do estado de São Paulo. É muito bom para o povo paulista”, acrescentou.

Sobre o diretório municipal, disse que ele é “constituído apenas por empregados do João Doria”. “Eles não são absolutamente independentes, eles são manipulados, funcionários, a maioria, do governo do João Doria, e evidentemente cumprem a pena de sua determinação.”