Hackers atingiram mil pessoas; Irã pode cortar comércio com o Brasil. Jornais de quinta (25)

O Globo afirma, em sua primeira página, que o esquema de invasão a contas do aplicativo Telegram, a exemplo do que aconteceu com o ministro Sérgio Moro (Justiça), atingiu um número muito maior de pessoas. Segundo estimativas da Polícia Federal, pelo menos mil pessoas foram alvos dos ataques.

O matutino carioca enfatiza que a lista de alvos inclui autoridades dos três poderes e destaca que Walter Delgatti Neto, preso na terça-feira (23) durante a Operação Spoofing, seria o cabeça do esquema.

No momento em que foi preso, investigadores encontraram o celular de Delgatti aberto no aplicativo Telegram com uma conta no nome do ministro Paulo Guedes (Economia).

Outros dois presos durante a operação, Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira, movimentaram R$ 627 mil em suas contas nos períodos de abril a junho de 2018 e março e maio de 2019.

Os valores não são compatíveis com a renda do casal, segundo a PF. A polícia ainda investiga se outras seis pessoas têm relação com o esquema. “Ataques de hackers atingiram mil alvos dos três Poderes”, revela a manchete do Globo.

O Estado de S.Paulo dá destaque ao depoimento de Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, e ressalta que ele confirmou ter dado acesso às mensagens obtidas ilegalmente do ministro Sérgio Moro para o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil. Em nota, a defesa de Glenn Greenwald afirmou que ele não comenta assuntos referentes “à identidade de suas fontes anônimas”.

Segundo o Estadão, tudo o que Walter Vermelho informar à polícia será investigado, especialmente a partir da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos quatro presos na Operação Spoofing, autorizada pelo juiz Vallisney Oliveira, da Vara Federal de Brasília.

No Twitter, Moro escreveu que “pessoas com antecedentes criminais” são a fonte de confiança dos que divulgaram supostas mensagens. Em resposta, Leandro Demori, diretor do The Intercept Brasil, afirmou que “essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta”.

“Hacker diz à polícia que deu a site acesso a conversas de Moro”, sublinha o título principal do Estadão.

A Folha de S.Paulo destaca que, embora Moro associe os quatro presos na Operação Spoofing ao vazamento de mensagens da sua conta do Telegram, não há essa conexão na ordem judicial que autorizou as prisões nem no pedido do Ministério Público que fundamentou a ação da Polícia Federal.

De acordo com matutino, a decisão do juiz Vallisney Oliveira indica apenas que há indícios de que os suspeitos “se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”.

A Folha também mostra as mensagens publicadas por Moro e pelos diretores do The Intercept Brasil, Leandro Demori e Glenn Greenwald, no Twitter.

De acordo com o matutino paulista, nem o site e nem as autoridades que investigam o caso confirmaram até o momento a relação entre as pessoas detidas e os vazamentos já publicados pelo The Intercept. “Moro liga hackers presos a vazamento de mensagens”, informa a manchete da Folha.

O Globo também destaca que o Irã ameaçou cortar as importações do Brasil se continuar a não permitir o reabastecimento dos dois navios de bandeira iraniana parados desde o começo de junho perto do porto de Paranaguá (PR).

De acordo com o jornal, o Brasil exporta cerca de US$ 2 bilhões por ano para o Irã em produtos como milho, carne e açúcar. A Petrobras se nega a abastecer cargueiros, o que sempre aconteceu e é considerado praxe no comércio exterior, por causa de sanção dos EUA.