Índios entregam à PF madeireiros presos por desmatar reserva dos Arariboia no Maranhão

Na manhã desta sexta (6), índios que integram o grupo ‘Guardiões da Floresta’ entregaram à Polícia Federal oito madeireiros que montaram uma tenda improvisada e estariam desmatando árvores dentro da terra indígena Arariboia. Eles foram detidos pelos próprios índios na região do município de Amarante, no sudoeste do Maranhão.

Índios destruíram a tenda improvisada usada pelos madeireiros na reserva Arariboia, no Maranhão — Foto: Mídia ÍndiaÍndios destruíram a tenda improvisada usada pelos madeireiros na reserva Arariboia, no Maranhão — Foto: Mídia Índia

Índios destruíram a tenda improvisada usada pelos madeireiros na reserva Arariboia, no Maranhão — Foto: Mídia Índia

Fotos tiradas pelos próprios indígenas mostram a quantidade de madeira cortada. Os índios também encontraram duas folhas de papel com anotações sobre o controle dos trabalhos e os valores nas vendas da madeira.

Um dos madeireiros presos afirmou que estava na reserva desde novembro de 2018. Na época, ele diz que cortou 300 estacas e que agora estava voltando para buscar o material e retirar mais 600 estacas. A madeira seria revendida para um fazendeiro em Açailândia, que fica próximo do local das prisões.

Parte dos madeireiros presos pelo grupo Guardiões da Floresta em Amarante, no Maranhão — Foto: Mídia ÍndiaParte dos madeireiros presos pelo grupo Guardiões da Floresta em Amarante, no Maranhão — Foto: Mídia Índia

Parte dos madeireiros presos pelo grupo Guardiões da Floresta em Amarante, no Maranhão — Foto: Mídia Índia

Após serem detidos, todos os madeireiros foram levados para a sede da Polícia Federal em Imperatriz para prestar depoimento e ficaram presos. A maioria estava sem documentos e aguarda a chegada de parentes.

Sobrevivência de índios isolados

Outra preocupação dos índios e da Fundação Nacional do Índio (Funai) é sobre os grupos que vivem na reserva Arariboia, que possui mais de 413 mil hectares. No local, vivem 14 mil índios da etnia Guajajara e o grupo isolado Awá-Guajá. Ações de caça, pesca e retirada de madeira coloca em risco a sobrevivência desse grupo.

“Eles [índios isolados] estão muito vulneráveis. Hoje são o povo mais vulnerável do mundo porque o contato com eles pode dizimá-los. Nós carregamos uma série de doenças que eles nunca foram expostos, além de possíveis confrontos. É o que nos preocupa no momento”, declarou o coordenador regional da Funai, Guaraci Mendes.