Latrocínios cresceram em toda Ilha de São Luís durante 2019

Um levantamento do Ministério Público do Maranhão, com base em dados oficiais, apontou um aumento no número de casos de latrocínio (roubo seguido de morte) em toda a Ilha de São Luís, que compreende São José de Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar e São Luís.

Os dados do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caop-Icrim) apontam que a região estava em uma tendência de queda, mas os números começaram a subir de 2018 a 2019. Veja os números.

Roubo com resultado morte
Grande Ilha de São Luís
3434303024242929Latrocínios201620172018201922,52527,53032,535
Fonte: Ministério Público do Maranhão

A cidade onde os casos mais cresceram é a capital São Luís, com 29 casos em 2019, um aumento de mais de 33% em comparação com 2018. São José de Ribamar e Raposa também tiveram um tímido aumento no período.

Roubos com resultado morte
São Luís
Número de casos23231717181824242016201720182019051015202530

2017
17
Fonte: Ministério Público do Maranhão
Roubos com resultado morte
Paço do Lumiar
Número de casos444433002016201720182019012345

2017
4
Fonte: Ministério Público do Maranhão
Roubos com resultado morte
São José de Ribamar
Número de casos7788334420162017201820190246810

2017
8
Fonte: Ministério Público do Maranhão
Roubos com resultado morte
Raposa
00110011Latrocínios201620172018201900,250,50,7511,25
Fonte: Ministério Público do Maranhão

De acordo com o promotor e coordenador do Caop-Icrim, José Cláudio Cabral Marques, o aumento no número de casos de crimes contra o patrimônio estão relacionados com a crise econômica e o desemprego, mas ele também aponta outros fatores.

“Tem outro fator importante que é a falta perspectiva para os jovens, autores e vítimas dessa mazela social. Sem instrução e qualificação, são presas fáceis da criminalidade. Estamos trabalhando para reverter esse quadro, numa parceria com a UNICEF , Secretarias de Estado e Municipais. Entendendo o fenômeno da criminalidade como um problema social multidisciplinar”, declarou o promotor.

G1 entrou em contato e aguarda retorno da Secretaria de Segurança Pública sobre o aumento no número de latrocínios na ilha.

Alguns casos

Um dos casos de latrocínio na ilha aconteceu em maio de 2018, quando o delegado da Polícia Federal Davi Farias de Aragão, de 36 anos, foi assassinado por bandidos que invadiram sua residência para realizar um assalto. O crime aconteceu no fim da festa de aniversário da filha do delegado, na Avenida Principal, Praia do Meio, em São José de Ribamar.

Segundo a polícia, os bandidos pularam o muro e entraram na casa da vítima. Durante o crime, houve luta corporal e o delegado acabou atingido por três disparos de arma de fogo no abdômen, além de facadas e mordidas pelo corpo.

Em 2019, outros três casos aconteceram em diferentes tipos de assalto. Em março, um passageiro identificado como Alexsandre Dias Rodrigues, foi assassinado a tiros durante um assalto a um ônibus no bairro Monte Castelo, em São Luís.

Passageiro Alexsandre Dias foi morto a tiros por um homem que havia entrado no ônibus em São Luís — Foto: Reprodução/TV MirantePassageiro Alexsandre Dias foi morto a tiros por um homem que havia entrado no ônibus em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

Passageiro Alexsandre Dias foi morto a tiros por um homem que havia entrado no ônibus em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

Em junho, uma mulher morreu três dias depois de um assalto ao Banco do Brasil do Jaracati, em São Luís. No dia do crime, os bandidos trocaram tiros com um policial militar, que também acabou ferido a bala.

Agência do Banco do Brasil, no Jaracati, foi o local da troca de tiros — Foto: Reprodução/ TV MiranteAgência do Banco do Brasil, no Jaracati, foi o local da troca de tiros — Foto: Reprodução/ TV Mirante

Agência do Banco do Brasil, no Jaracati, foi o local da troca de tiros — Foto: Reprodução/ TV Mirante

Já em novembro, um vendedor ambulante identificado como William Araújo Braga, de 55 anos, morreu após ser baleado durante um assalto a uma joalheria localizada na Rua da Paz, no Centro da capital. Um homem identificado como Cleiton Pinto Vasconcelos fez duas pessoas reféns. William Araújo reagiu ao assalto e foi baleado.