Operação Capitu: Polícia Federal apreende celulares e tablet na casa do prefeito de Araraquara

A casa do prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva (PT), foi um dos alvos da Operação Capitu, realizada pela Receita Federal e pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (9). Agentes cumprem 63 mandados de busca e 19 de prisão no Distrito Federal e em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso.

A operação investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Edinho Silva foi tesoureiro da campanha eleitoral de 2017 e ex-ministro de Dilma.

“Eu respeito a Justiça, respeito a Polícia Federal, mas evidente que esse mandado de busca na minha residência hoje é algo totalmente descabido. Porque eu prestei todos os esclarecimentos que alguém pode prestar à Justiça nessa investigação que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez”, disse o prefeito de Araraquara em um vídeo publicado nas redes sociais.

A PF também cumpriu mandado de busca na casa de Manoel de Araújo Sobrinho, que foi assessor de Edinho durante a campanha, e na Empresa Morada do Sol Turismo, Eventos e Participações S/A, onde atualmente ele é diretor presidente.

Polícia Federal cumpriu mandados em Araraquara — Foto: A Cidade ON/AraraquaraPolícia Federal cumpriu mandados em Araraquara — Foto: A Cidade ON/Araraquara

Polícia Federal cumpriu mandados em Araraquara — Foto: A Cidade ON/Araraquara

Indignação

Edinho Silva fez uma transmissão ao vivo pelas redes sociais e disse estar indignado com a ação. Segundo ele, os policiais federais estiveram na casa dele por volta das 6h em busca de documentos relacionados a sua atuação como coordenador financeiro da campanha de Dilma em 2014.

“Saíram da minha casa sem nenhum papel nas mãos. Sabe o que foi levado? Os meus dois celulares, um que eu uso para ligações pessoais, um outro funcional da prefeitura e meu iPad. Não levaram um documento sequer”, disse o prefeito.

Em relação ao cumprimento de mandado na casa de Araújo, Edinho Silva ressaltou que ele foi seu assessor na função que cumpriu em 2014, mas que ele nunca teve relação com a busca de recursos financeiros para a campanha.

“Presto a minha solidariedade ao Manuel porque ele foi um colaborador meu na campanha, um assessor que cuidava da parte burocrática da campanha, ele não deveria estar passando por isso. Tenho dito desde 2014 que nós agimos dentro da legalidade e o mais transparente possível”, disse.

Edinho Silva ressaltou que as contas da campanha foram aprovadas pelo TSE em 2014 e que após Dilma assumir o cargo o PSDB entrou com uma ação questionando novamente as doações eleitorais.

“Investigaram delações premiadas da Odebrecht, da JBS, da OAS, da Andrade Gutierrez e tantas outras empresas que doaram para a campanha. O TSE mais uma vez aprovou essa longa investigação onde eu estive no TSE, prestei esclarecimentos e muitos empresários foram lá falar. As contas de Dilma mais uma vez foram aprovadas em 2017”, disse.

Operação Capitu

A operação tem por objetivo combater uma suposta fraude envolvendo doações irregulares por parte de empresa de processamento de proteína animal para diversos políticos e partidos.

Segundo as investigações, duas grandes redes varejistas do estado de Minas Gerais, por meio de seus controladores e diretores, participaram diretamente desse esquema.

Suspeita-se que esta rede, devido ao grande movimento de dinheiro em espécie, utilizou-se deste fluxo para dar ar de licitude a valores doados a partidos e políticos, no período de agosto de 2014 a fevereiro de 2015.

Pagamentos indevidos

O dinheiro era repassado pelas redes varejistas aos partidos e políticos por meio da simulação de recebimento de duplicatas pela grande empresa de processamento de proteína animal e pela transferência financeira a seis escritórios de advocacia por serviços, supostamente não realizados, acobertados por contratos simulados e notas fiscais de tais escritórios.

Com o desenrolar das investigações foi descoberto ainda um esquema de pagamento de vantagens indevidas a altos dirigentes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) por parte da grande empresa do ramo alimentício, com a produção de legislação e atos normativos que beneficiavam a essa grande empresa.

Crimes

As irregularidades podem configurar diversos crimes, entre eles, constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, falsificação de documentos, crime contra a ordem tributária, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As propinas pagas aos agentes públicos e políticos estão estimadas em mais de R$ 22 milhões.

A operacionalização do esquema envolveu agentes públicos, políticos e partidos políticos, além de uma grande empresa do setor alimentício de processamento de carnes, duas grandes redes de supermercados de Minas Gerais e escritórios de advocacia.

O aprofundamento das investigações teve como base as delações premiadas de alguns dos investigados. Capitu, o nome da operação, faz alusão a uma suposta traição de Capitu, personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis.