Policial e vigilante acusados de triplo homicídio em São Luís vão a juri popular

O juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Gilberto de Moura Lima, pronunciou para ir a júri popular o policial militar Hamilton Caires Linhares e o vigilante Evilásio Lemos Ribeiro Júnior. Eles são acusados da morte de três adolescentes no dia 03 de janeiro de 2019, no Coquilho, zona rural de São Luís.

O caso aconteceu em um canteiro de obras do programa Minha Casa, Minha Vida. Os jovens foram achados com tiros na nuca e foram identificados como Gustavo Feitosa Monroe, de 18 anos; Joanderson da Silva Diniz, 17 anos; e Gildean Castro Silva, de 14 anos.

Joanderson da Silva Diniz, 17 anos; Gustavo Feitosa Monroe, 18 e Gildean Castro Silva, 14 anos, foram encontrados mortos na zona rural de São Luís — Foto: Montagem/G1 MAJoanderson da Silva Diniz, 17 anos; Gustavo Feitosa Monroe, 18 e Gildean Castro Silva, 14 anos, foram encontrados mortos na zona rural de São Luís — Foto: Montagem/G1 MA

Joanderson da Silva Diniz, 17 anos; Gustavo Feitosa Monroe, 18 e Gildean Castro Silva, 14 anos, foram encontrados mortos na zona rural de São Luís — Foto: Montagem/G1 MA

O policial e o vigilante foram indiciados por homicídio qualificado e concurso de pessoas, todos do Código Penal. Na decisão de pronuncia, na última terça-feira (23), o magistrado também manteve a prisão preventiva de Hamilton Caíres Linhares.

Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia do crime, os três adolescentes saíram de casa, em duas bicicletas, para a localidade conhecida como “Romão”, área de banho e pesca. A estrada de acesso estava localizada dentro da construção do Residencial Mato Grosso, do programa Minha Casa, Minha Vida. Por volta das 14h, as vítimas foram vistas por um dos seguranças da empresa Ostensiva, que avisou seus companheiros de serviço a possível entrada de invasores.

Corpos dos jovens foram encontrados em uma região de mato no bairro Coquilho, em São Luís, na manhã desta sexta (4) — Foto: Reprodução/TV MiranteCorpos dos jovens foram encontrados em uma região de mato no bairro Coquilho, em São Luís, na manhã desta sexta (4) — Foto: Reprodução/TV Mirante

Corpos dos jovens foram encontrados em uma região de mato no bairro Coquilho, em São Luís, na manhã desta sexta (4) — Foto: Reprodução/TV Mirante

Logo depois, alguns vigilantes e o PM Hamilton – contratado extraoficialmente pelo dono da empresa para dar suporte de segurança – foram ao local em que os adolescentes estariam. Ainda, de acordo com a denúncia, os vigilantes foram se dispersando pelo caminho até que Hamilton e Evilásio chegaram à entrada do matagal em que os corpos foram encontrados. Os dois renderam os jovens, sendo que o militar estava armado.

Um laudo pericial apontou que uma das vítimas estaria em pé ou de joelhos quando o disparo foi efetuado; e a segunda e terceira estavam deitadas com uma das mãos na cabeça quando foram alvejadas, sendo que o projétil atravessou a mão e entrou na cabeça, ficando alojado. Para o Ministério Público, Hamilton Caíres efetuou os disparos e Evilásio Lemos rendeu os três jovens.

Os corpos e duas bicicletas somente foram encontrados no dia seguinte, quando os familiares sentiram falta dos jovens e saíram em buscas nas imediações da estrada do “Romão”, junto com outros moradores. Eles encontraram um óculos na trilha que dava acesso ao local, que depois foi comprovado que pertencia a Evilásio Lemos.

Depoimentos

Ao ser interrogado, o vigilante negou a autoria do crime, mas confessou, em seu primeiro depoimento, que esteve na entrada do matagal com o policial, mas não entrou no local e ouviu três disparos de arma de fogo. No segundo depoimento, ele disse que entrou depois do militar e, como não mais avistou o PM e as vítimas, voltou para a motocicleta.

Já Hamilton Caires negou qualquer envolvimento no delito e disse que apenas desferiu um tiro para cima para assustar os supostos invasores, dizendo que nem chegou a vê-los. Quando foi solicitado que entregasse sua arma para realização de exame de comparação balística com os projéteis retirados dos corpos e do local do crime, ele disse que perdera a arma, estojo e carregador, embora não tenha informado o fato à corporação policial.

Na decisão de pronúncia, o juiz Gilberto de Moura Lima afirmou que há divergências entre as versões apresentadas pelos acusados e as testemunhas, competindo ao tribunal popular apreciar as versões.

“Diante da existência de indícios de autoria e participação, assim como demonstrada a materialidade dos fatos, preenche-se, pois, os requisitos de admissibilidade da acusação em relação a todos os acusados”, declarou o magistrado.