Trump quer usar o Brasil para atacar ‘inimigos’; Se governo não mudar acaba em seis meses, diz Olavo. Jornais de segunda (18)

A viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos ganha destaque na manchete do jornal O Globo. Segundo fontes do governo ouvidas pelo matutino, a conversa entre Bolsonaro e o presidente Donald Trump, que acontecerá nesta terça-feira (19), tratará de temas abrangentes e tem o objetivo de criar canais diretos entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.

No entanto, O Globo ressalta que Trump conta com o apoio do Brasil na realização de ações efetivas contra países considerados “inimigos”. Para o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, alguns países como Venezuela e Cuba são considerados a “troika da tirania” na América Latina.

O Globo lembra que, apesar de os dois terem posições semelhantes sobre vários assuntos, Trump é a favor de uma intervenção militar enquanto os assessores mais próximos de Bolsonaro descartam a opção de intervenção. Em sua conta no twitter, Bolsonaro comentou a viagem.

“Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é anti-americano chega a Washington”, disse o presidente. “Trump quer ação do Brasil contra ‘inimigos’”, sublinha a manchete do Globo.

O Globo repercute, também na primeira página, as declarações dadas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) no sábado (16), quando afirmou que brasileiros ilegais no exterior são uma vergonha. “Um brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, isso é vergonha nossa, para a gente”, afirmou.

Depois da repercussão das declarações, Eduardo Bolsonaro concedeu entrevista à Record News e atribuiu à imprensa o impacto negativo das afirmações. “A declaração foi para dizer que o Brasil tem responsabilidade com seus nacionais e não vai ficar permitindo que brasileiros entrem, facilitando, melhor dizendo, a entrada de brasileiro em qualquer lugar que não seja da maneira legal”, explicou.

Na primeira página, a Folha de S.Paulo dá ênfase às declarações do filósofo Olavo de Carvalho que, no sábado (16), afirmou que o governo precisa mudar de rumo para não acabar em seis meses. “Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. É só continuar assim. Mais seis meses, acabou”, afirmou Olavo.

O filósofo afirmou que o presidente Jair Bolsonaro é um grande homem, mas estaria cercado de traidores. “Esse pessoal quer restaurar o regime de 1964 sob um aspecto democrático”, disse Olavo referindo-se a ala militar do governo de Bolsonaro.

O Estado de S.Paulo mostra que os chamados empréstimos intercompanhias, recursos injetados por multinacionais em filiais no Brasil, deram um salto no ano de 2018 em comparação com o ano de 2017. Segundo o matutino, o valor de empréstimo quintuplicou em 2018 e chegou a US$ 32,3 bilhões contra apenas US$ 6,2 bilhões registrados em 2017.

Apesar de ser um recurso usado para alavancar investimentos, o Estadão explica que a situação difícil da economia brasileira fez com que os valores fossem usados para ajudar as filiais no Brasil. O matutino também ressalta que, enquanto o empréstimo intercompanhia crescia em 2018, a participação no capital das empresas caiu 12,5% em relação a 2017. “Múltis trazem R$ 120 bi em crédito para filiais no país”, revela a manchete do Estadão.

A Folha ainda destaca a entrevista concedida pelo presidente do banco Bradesco, Octavio de Lazari, que reforçou a importância da reforma da Previdência para o país. Para ele, a reforma deve ser aprovada logo, para evitar “desdobramentos muito prejudiciais à economia”. Octavio de Lazari disse que a reforma deve ser aprovada ainda no primeiro semestre para não atrapalhar a recuperação econômica projetada pelo governo.

O presidente do Bradesco falou sobre o cuidado com o que é postado nas redes sociais e afirmou que Bolsonaro está em um momento de aprendizado. “Ele, como presidente, vai ser orientado e terá postura de ter foco naquilo que a gente precisa fazer no país”, afirmou. “É preciso foco em reforma, diz presidente do Bradesco”. É o que informa a manchete da Folha.